Estado do Paraná

GILMAR BARCELLOS

  • Presidente da Comissão Organizadora do estado do Paraná
  • Telefone:
  • e-mail: barcellos@pcp.org.br
  • Pensamento: Capitalismo não é ganância, é produção para o povo

PRONUNCIAMENTO:

“Negócio que não serve ao público é um mau negócio.”
Henry Ford

Henry Ford dificilmente seria citado hoje como referência ética do capitalismo. Ainda assim, sua frase acima expõe um princípio que foi, em algum momento, central no pensamento capitalista: a produção existe para atender necessidades reais da sociedade. Quando deixa de cumprir esse papel, o sistema não falha moralmente apenas — ele falha economicamente.
Ford compreendeu algo que parece ter se perdido ao longo do tempo: não existe mercado forte em uma sociedade empobrecida. Produzir apenas para maximizar margens financeiras, sem considerar o poder de compra, a dignidade e a estabilidade das pessoas, é minar o próprio sistema que sustenta a produção.
O chamado “capitalismo moderno” inverteu essa lógica. Hoje, grande parte da riqueza não nasce do trabalho produtivo, da inovação ou da geração de valor real, mas da especulação financeira, da captura de rendas e da concentração extrema de recursos. Isso não é uma evolução do capitalismo — é sua degeneração.
No capitalismo que serve ao povo, o lucro não é um fim isolado. Ele é consequência de uma cadeia saudável: trabalho digno, salário justo, consumo consciente, produção responsável e reinvestimento na própria sociedade. Quando o trabalhador é valorizado, ele não é apenas força de trabalho; ele é cidadão, consumidor e agente do desenvolvimento.
Henry Ford pagava salários acima da média não por filantropia, mas por inteligência econômica. Ele sabia que trabalhadores bem remunerados fortalecem o mercado interno, estabilizam a economia e reduzem tensões sociais. Essa visão está muito mais próxima de um capitalismo popular do que do modelo atual, centrado em poucos ganhadores e muitos excluídos.
Talvez o problema não esteja no capitalismo em si, mas na forma como ele foi sequestrado por interesses que não produzem, não constroem e não servem ao povo. Recuperar o sentido original do sistema é menos uma revolução ideológica e mais um retorno à racionalidade.
Capitalismo que não gera dignidade não é moderno.
É apenas improdutivo.

Gilmar Barcellos