POR QUÊ

No último 06/03/2024, na Câmara dos Deputados, elegeu-se o deputado federal Nikolas Ferreira, oriundo da grande Minas Gerais, pelo Partido Liberal, à presidência da Comissão de Educação. Incrível? Ainda não vimos nada e, provavelmente, de forma beneficiar à educação, nada veremos. Espero equivocar-me, mas uma macieira jamais dar-nos-á laranjas.

De chofre, permitam-me, prezados leitores, observar a biografia deste parlamentar posta na página da Nobre Câmara dos Deputados, dá-nos a idade, 28 anos, natural da aprazível cidade de Belo Horizonte, carinhosamente conhecida, nacionalmente, como BH, e de profissão não nos apresenta nenhuma, ou melhor, não declara, mas diz possuir curso superior; interessante, possui uma profissão, mas não a declara. Vergonha ou nunca trabalhou?

A primeira questão que eu colocaria à resposta do pueril presidente seria: o que é educação? A complexidade e profundidade da pergunta colocada ao presidente não é de simples resposta, ousaria asseverar que educação é a base de sucesso a qualquer país que a ela se debruce com afinco e coragem.

O Partido Capitalista Popular (PCP) tem sua proposta, ousada, provavelmente dirão alguns, impossível de concretização, outros levantarão as vozes, mas, com toda certeza, lança-se à discussão um inovador caminho que o debate parlamentar dará ou não aprovação, mas como colocar sobre a mesa algo a ser debatido com profundidade quando a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados entrega a presidência a uma pessoa que, provavelmente, não sabe nem que existiu ou existem pensadores preocupadíssimos com educação em nosso país. Observem, se elencasse vários nomes de professores educadores preocupados com o ensino brasileiro, isto sem mencionar autores nacionais consagrados, tenho quase certeza de que a grande parte ele, o presidente da Comissão de Educação, não leu, não lê e nunca lerá.

À presidência da Comissão de Educação haveria de ser eleito alguém comprometido com o tema, sabedor dos problemas reais da educação em nosso país, com a sensibilidade ao enorme problema do analfabetismo, visão crítica ao aumento da evasão escolar etc., etc., etc. Com todo respeito que as pessoas me merecem, o deputado, eleito presidente, recuso-me a mencionar seu nome, pois já o fiz anteriormente, de mim não terá diferente tratamento, não tem, este parlamentar, postura e nem dimensão a ocupar tal posição em uma Comissão de relevância como a de Educação; provavelmente, seus lamentáveis pares e eleitores se esqueceram (talvez não) que ele fora condenado, na esfera civil, estando o processo criminal, pelo mesmo crime, em andamento.

Há, de nossa parte, o entendimento, desde o ano de 2023, que a presidência da Comissão de Educação, dentre outras, ficaria com o Partido Liberal, todavia, não se imaginava que seria esse parlamentar o escalado pelo PL a presidi-la, recentemente, posicionou-se ao lado do governador e de um senador de Minas Gerais contra a vacinação de estudantes mineiros, isto, sem contar inúmeras outras atitudes, ao ver deste articulista, lamentáveis.

Em entrevista que circula nas redes sociais, um determinado entrevistador questiona o deputado presidente, “se ele acredita ser a Terra plana”, a resposta foi: “Posso ser sincero? Nunca nem estudei isso aí, juro, gosto de quem gosta, quem tem curiosidade, mas nunca nem parei para pesquisar esse ‘bicho’, de verdade, não me importo, se a Terra é plana, oval, quadrada… Sabe? ‘Saguei’”. Este é o nível de conhecimento, vocabulário e avaliação, sobre o formato do planeta, do Presidente da Comissão de Educação.


Não é a primeira vez que pessoas exóticas chegam ao Congresso Nacional e, infelizmente, não será a última, sem qualquer dúvida, o deputado presidente é, assim como um lastimável grupo, idiossincrático, mas para o mal.

Um povo só mudará seu país através do voto e este tem de ter a educação e o conhecimento como pilares fundamentais, a ignorância ascende à mediocridade, então, por quê?

Campello de Oliveira
Advogado, Vice-Presidente Jurídico do PCP e ex professor universitário